Wagner Moura: “Em Tropa de Elite 2, Nascimento percebe que é apenas uma peça no tabuleiro político”

O ator fala sobre seu personagem na continuação do filme de José Padilha. Ele afirma que o capitão Nascimento, agora coronel, está mais maduro e vai se ver no centro do jogo político que envolve a segurança pública

Prestes a aparecer nas telas pela segunda vez como Capitão Nascimento, comandante do Bope de Tropa de Elite 1 e 2, o ator Wagner Moura, de 34 anos, diz que o personagem é “épico e trágico”. Desta vez, ele também é produtor do filme, que aumentou sua popularidade com o grande público. Entre as filmagens de O Homem do Futuro, seu próximo filme, e a ansiedade pela estreia de Tropa de Elite 2, o ator falou com ÉPOCA.

ÉPOCA – Você concordou de cara em reviver o Capitão Nascimento no cinema?
Wagner Moura - Sim, de cara. Depois do sucesso do filme, se falou muito na possibilidade de uma série de televisão, TV na Globo – o que chegou a ser conversado. Mas nesse caso eu não sei se teria concordado em fazer, por um motivo: num veículo como a TV, o diretor José Padilha não teria um controle total sobre a série como ele tem em relação aos filmes. Mas, no cinema, jamais pensei em discordar. Eu levo muito a sério as propostas do Padilha. Ele é um diretor cujos filmes estão sempre atrelados a um propósito político. Eu sabia que uma continuação de Tropa de Elite não seria apenas mais um filme perseguindo o sucesso comercial do primeiro, mas que haveria algo novo por trás. E quando veio o roteiro, vi que eu estava certo: agora está no centro o jogo político que envolve toda a segurança pública, o crescimento das milícias. Para mim foi muito importante também poder acompanhar mais de perto todo o desenvolvimento do projeto, já que sou coprodutor. Aliás, esse convite para coproduzir foi feito pelo Padilha logo no início, o que me deixou muito satisfeito.

ÉPOCA – O que o papel do Capitão Nascimento mudou na sua vida?
Moura - Certamente me transformei em um ator bem mais popular. Eu era conhecido, tinha feito muitas coisas no cinema e na TV, mas Tropa de Elite me tornou mais visível. E, ao mesmo tempo em que o filme foi lançado, eu vivia o Olavo, vilão da novela de Gilberto Braga Paraíso Tropical. As duas coisas, juntas, mudaram muita coisa. Quando a novela acabou e comecei a fazer Hamlet, no teatro, eu sabia que a casa estava cheia de muita gente que na verdade estava ali para ver o ator de televisão ou o Capitão Nascimento.

ÉPOCA – Isso incomoda?
Moura - De modo algum. Quero mais que meus espetáculos encham de gente. Na verdade, pensando bem hoje, não sei mais dizer o que era diferente na minha vida, na prática, antes de Tropa de Elite e dessa novela. Acho que eu me acostumei a ser uma pessoa pública. Tem a parte chata: eu querer ficar no meu canto e chegar alguém, perder bastante da privacidade. E tem a parte do carinho, do reconhecimento das pessoas. Mas vou aprendendo a viver dessa forma, respeitando meus limites. A questão é que eu sou muito caseiro. Gosto mesmo de estar com a família, com os amigos. Não sou nada de badalação, festas, estreias. Prefiro ficar quieto.

ÉPOCA – O que você já pode dizer sobre as transformações por que passa o Capitão Nascimento, agora coronel, em Tropa de Elite 2?
Moura - Uma delas é a natural: cerca de 13 anos se passaram da época do primeiro filme. Nascimento está mais maduro, mais consciente. Acho que isso é o que acontece na vida de qualquer pessoa. Em Tropa 1, ele tinha dilemas, preocupações, as mãos tremiam, ele tinha sensações corporais, mas não entendia muito bem por quê. Agora ele se dá conta do que está passando. Quando ele percebe que é apenas uma peça no tabuleiro político, ele cai em si em relação a tudo que já viveu. Esse é o arco dramático do Nascimento neste filme. É épico e trágico, totalmente shakesperiano. Ele, um servidor público, um policial que se dedicou àquela guerra, ao que ele acreditava, de repente toma ciência da realidade. Como ele é o narrador, o espectador vai junto com ele nessa descoberta de como as coisas funcionam de verdade. Vai haver uma grande identificação. E mais não posso dizer.

ÉPOCA – Desta vez, houve muito treinamento, como em Tropa 1?
Moura - O treinamento que tivemos com a polícia no primeiro filme foi tão extenso, tão forte, que desta vez tivemos apenas um pequeno recall.

ÉPOCA – E também agora o Nascimento fica no escritório. Ou não?
Moura - É, fica mais. Mas há operações também, há ação no filme. Só não posso contar qual.

ÉPOCA – Participar de um filme, como você mesmo classifica, político, é mais importante do que de outros?
Moura - É importante, sim, porque sou um cara que sempre teve interesse por política, sempre procurei ler de tudo. Mas não digo que é mais importante do que estar em outras produções. Eu gosto da diversidade. Agora mesmo acabei de filmar O Homem do Futuro, do Cláudio Torres, que conta a história de um cientista maluco que trabalha com acelerador de partículas, cria um buraco negro e viaja no tempo. E então vai querer consertar tudo do seu passado. No mais, não acho que obras de arte precisem ter essa ligação com a política. A arte é livre. E mais: se fazer algo político não tiver, por trás, um interesse genuíno como tem o Padilha, acho que não funciona. Essa tendência nele é orgânica, é verdadeira. Não sei se ele dirigiria bem uma comédia leve.

ÉPOCA – Os filmes Tropa de Elite mudaram suas posições políticas?
Moura - É possível. Tropa me ensinou muito sobre o mundo da segurança e da administração pública. Entendi determinados mecanismos que eu desconhecia. O próprio convívio com policiais foi importante pra mim.

ÉPOCA – Tropa de Elite 2 é melhor do que o 1?
Moura - Tenho certeza que sim. Já assisti algumas vezes e cada vez acho melhor. Está mais complexo, a evolução dramática dos personagens é melhor, está mais bem filmando. Nada se perde, há um discurso consciente e bem pensando. Resta saber o que o público vai achar.

Fonte: Revista Época

Comentários

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  2. Não há expectativa maior que o Tropa de Elite 2!!! AMOOOOOOOO Capitão Nascimento e toda a sua atuação no geral!

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