Wagner Moura diz que Capitão Nascimento ganha consciência em Tropa de Elite 2


Na entrevista, que foi exibida nesta segunda-feira (27), pela TV Cultura, o ator comentou o amadurecimento do famoso personagem que o consagrou no cinema
O ator Wagner Moura – em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, dá detalhes sobre o amadurecimento de seu famoso personagem Capitão Nascimento, no filme Tropa de Elite 2, que estreia em circuito nacional no dia 8 de outubro, sob direção de José Padilha, o mesmo diretor do primeiro longa.

“O Nascimento está mais velho. No primeiro filme você vê um personagem em crise. (…) Ele não sabia o que estava acontecendo com ele. Era um personagem perplexo, perdido. Agora a gente está adotando um Nascimento de consciência. Ele entende o que está acontecendo com ele, o papel que ele faz, que ele cumpre dentro desse jogo da segurança pública. No filme os policiais acham mesmo que matar bandido é uma coisa nobre. Que estão fazendo um grande bem. E no segundo, o grande problema é que ele começa a entender que de fato não está servindo exatamente a um propósito nobre. Que é muito diferente servir à população e servir ao Estado”, conta.

“Principalmente tem muita tristeza (no amadurecimento do personagem). Imagina ver que você dedicou a sua vida inteira a um negócio vazio, errado. Que mentiram para você”
, completa.

Ainda sobre Tropa de Elite 2, o ator diz que a segunda edição do longa mostra bastante a formação de milícias e não traz a presença das UPPs. Ele ainda dá a sua opinião sobre a segurança no Rio de Janeiro. “As UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) são super positivas como um primeiro passo. Não podem ser vistas como um fim. Qual o problema da violência no Brasil? A ausência de Estado nos lugares de pobreza onde o poder paralelo toma conta da comunidade. Mas se não houver ali também um hospital, parquinho para as crianças brincarem, bibliotecas, escolas, eu não vejo razão para a UPP”.
Outro assunto em pauta é o lançamento de mais um filme estrelado pelo ator, o VIPs, cuja pré-estreia aconteceu na noite deste domingo (26/9) no Festival do Rio 2010. Ele confessa não ter tido muito interesse pelo papel no início. “É baseado numa história real, do Marcelo Nascimento da Rocha, mas eu sei pouco sobre ele. Quando eu fui chamado para fazer o filme, o cartão de visita foi o roteiro do Bráulio Mantovani, meu amigo, e fiquei impressionado, embora não sabia muito sobre a história real. E quanto mais eu procurava saber sobre a historia dele, menos eu tinha vontade de fazer o filme. Porque o cara, de fato é muito inteligente, muito simpático, muito sedutor, mas é um bandido. Não me interessou. Eu acho que o grande golpe dele é a gente fazer um filme sobre ele. Eu não quis fazer parte disso. Não achava interessante. Não achava um bom personagem”.

O convidado ainda é perguntado por Marília Gabriela sobre a declaração de Boni, em recente edição do programa, a respeito dos reality shows e da atual dramaturgia. Wagner Moura foi enfático: “Eu lamento que os reality shows roubem espaço da dramaturgia. Por vários motivos, inclusive pela questão corporativista, porque poderia estar gerando emprego para vários atores e eles poderiam estar trabalhando naquele espaço. Agora, eu não sei se concordo com o Boni que a nossa dramaturgia estaria precária e por isso precisamos de reality shows. Acho que eles são um fenômeno mundial, do entretenimento contemporâneo. Talvez os reality shows influenciem a dramaturgia e haja uma troca. Não acho que a nossa dramaturgia seja ruim”, diz.

E completa: “Mas o roteiro do Bráulio é extraordinário. É a história de um garoto que não sabe quem ele é, que parte em busca de si próprio. E nessa busca ele se experimenta em diversas identidades… Um garoto inteligente, capaz, que fica se experimentando, com a capacidade extraordinária de conversar. No meu personagem ele é um garoto bastante inocente”.


Fonte: Bagarai

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