Claudio Torres faz Wagner Moura viajar ao passado em 'O homem do futuro'



Desde o automóvel DeLorean criado pelo dr. Emmett Brown na trilogia "De volta para o futuro", capaz de levar Michael J. Fox aos anos 50 ou aos tempos do faroeste, o cinema não via uma máquina do tempo tão criativa quanto o acelerador de partículas improvisado na garagem do Estádio Municipal Waldemar Perissinotto, em Paulínia, no interior de São Paulo, de onde Wagner Moura vai embarcar numa viagem até a Era Collor. O aparelho foi invenção de Claudio Torres, realizador que levou 2.355.519 pagantes às salas de exibição em 2009 com "A mulher invisível". Mas foi a diretora de arte Yurika Yamasaki quem tirou a quimera mecânica de Claudio do papel, garatindo às filmagens da comédia fantástica "O homem do futuro" um visual de ficção científica.

- A máquina foi feita com a cauda de um Bandeirante que a gente comprou de um senhor de 85 anos que mantém sucata de aviões em seu quintal e vende. Dá uns 9,5 metros de comprimento - conta Yurika. - A boca, que tem uns 2,3 metros, a gente fez com partes de uma jacuzzi. E a porta eu tirei de um equipamento hospitalar.

- De fora, parece a máquina de "A mosca", do Cronenberg. De dentro, parece "2001 - Uma odisseia no espaço", do Kubrick - avalia Claudio Torres, que filma até setembro mesmo sem ter completado a captação do orçamento total de "O homem do futuro", calculado em R$ 7,5 milhões. - Faltam R$ 2 milhões para o filme, cuja trama tem um pouco de uns três episódios de "Jornada nas estrelas", um quê de "Peggy Sue - Seu passado a espera" e traços de "Feitiço do tempo".

- Tem tudo isso mais a mente doentia de Claudio Torres - interrompe Wagner Moura, que volta às telas no dia 8 de outubro na pele do Capitão Beto Nascimento em "Tropa de elite 2", de José Padilha, cujo trailer já está em circuito e na internet.

- Eu acompanhei a montagem, e "Tropa..." ficou incrível. Mas aqui é outro astral. Por mais harmonioso que "Tropa..." seja, eu gosto muito do humor. E o Claudio é um cara que consegue algo raro na comédia: aliar uma linguagem doida, pessoal pra caramba, com a capacidade de gerar bilheteria. Estou enjoado dessa história de filme bom ser visto por, sei lá, 15 pessoas e parar por aí.

Em "O homem do futuro", coube a Wagner o papel de Zero, um físico que torra a sua sanidade e as verbas da universidade onde trabalha na construção do tal acelerador, cuja meta é produzir uma fonte alternativa de energia, barata e ecológica. Na última segunda, Claudio filmou as cenas em que Zero se tranca na máquina, no auge de seus experimentos, sendo arremessado no tempo, para desespero de seu melhor amigo e colega de invenções, Otávio, vivido pelo humorista e dramaturgo Fernando Ceylão, um quase estreante no cinema. Antes do trabalho com Claudio, Ceylão rodou e estrelou o longa "Eu mereço", derivado de seu trabalho em "Amorais", série do Canal Brasil, já em montagem.

- Criei um físico tipo Philip Seymour Hoffman, que tem aquela cara de cansado. Mas espera ver a minha versão jovem, sem barba, de franjinha e com roupa de super-herói - brinca Ceylão, adiantando que o caráter e a lucidez de Otávio mudam durante o filme conforme Zero regressa ao passado.

Seu salto temporal acontece por acaso, graças a um buraco negro gerado pelo acelerador. Mas a data para a qual ele volta não é fortuita: o cientista cai em 22 de novembro de 1991, quando foi humilhado por Helena (Alinne Moraes), uma colega de faculdade famosa por seus vetores sexuais acelerados. A meta de Zero, ao se encontrar consigo mesmo mais jovem, é se salvar de Helena, que tira sua virgindade, mas abusa de seu amor. Mas, ao modificar o passado, ele põe o presente em risco, tendo que viajar no tempo de novo, de roupa de astronauta.

Fonte: O Globo Online

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