Giulia Gam e Wagner Moura vivem conflito no Teatro SESC Anchieta

Sob a direção de Aderbal Freire Filho, os atores encenam o drama Dilúvio em Tempos de Seca, texto de Marcelo Pedreira

Fotos: Sandra Delgado

Com direção de Aderbal Freire Filho, Giulia Gam e Wagner Moura estreiam a temporada paulista de Dilúvio em Tempos de Seca, no Teatro SESC Anchieta. A peça narra a claustrofóbica relação entre um escrito e uma modelo que ele tenta transformar em musa de sua obra. As apresentações vão até 13 de março.

Uma extravagante modelo posa para um escritor dentro de um banheiro como se ele fosse um pintor ou escritor. Na rua, um dilúvio que não acaba nunca. E neste ambiente, os dois passam a lidar com a atração e a distância que existe entre eles. "O banheiro é o umbigo da casa, onde os personagens podem ser levados ao extremo da intimidade", comenta o diretor.

A primeira montagem da obra, escrita por Marcelo Pedreira, foi encenada na Mostra Nova Dramaturgia Carioca, em 2003. "Giulia também me apresentou o texto sem pretensão nenhuma. No mesmo ano, o produtor Sérgio Martins procurou Freire com a proposta de montar novamente a história. E ele topou no ato. "O autor traz algo novo, vivo, atrai pela estranheza da situação, um mistério que não se define de forma banal, tem um diálogo inteligente."


A nova peça estreou no Teatro Dulcina, no Rio, em setembro do ano passado e ficou dois meses em cartaz. Mas para chegar ao palco, passou por um intenso processo de criação. Primeiro veio a seleção do elenco. "Queria reunir dois atores jovens, seguros, mas 'marcados' por grandes trabalhos". Segundo ele, Giulia era perfeita para o papel da modelo bem sucedida, mas que já não tem mais 23 anos - idade em que as tops já são consideradas veteranas. "Ela traz exuberância e um quê de divindade que a personagem precisa." Já Wagner Moura chamou atenção pelo seu perfil cômico, apesar de interpretar um homem deprimido e retraído. "Ele é um artista excelente e trouxe uma certa leveza ao personagem."


Antes de iniciar os ensaios, o diretor e os atores fizeram um laboratório, apenas estudando o texto. "Ficamos 40 dias fechados em uma sala", relembra. "É um processo criativo rico e muito utilizado no cinema. Não consigo entender porque no teatro essa troca com o ator quase não acontece." Para ele, idéias pré-concebidas não funcionam. "Prefiro criar na hora, em conjunto." E expõe um valioso argumento. "O teatro é dos atores. Construo um espetáculo para que eles possam diminuir a distância entre o que eles querem dizer e o que mostram ao público."


Aderbal Freire Filho é o diretor mais aclamado no cenário carioca. Começou a fazer teatro como ator na adolescência, na década de 50. Em 1970 fez parte do elenco de Diário de um Louco de Nicolai Gógol, que foi montado dentro de um ônibus que circulava pelas ruas do Rio. Sua primeira direção veio dois anos mais tarde: O Cordão Umbilical, de Mário Prata. Depois, dirigiu Marília Pêra em Apareceu a Margarida, um grande sucesso da temporada.

Desde então, não parou mais de trabalhar. Acredita que montou cerca de 80 espetáculos desde o início da carreira. Ganhou o Prêmio Shell-RJ de direção em 2002 por A Prova, de David Auburn, com a atriz Andréa Beltrão - que também foi premiada na edição. Dirigiu Marília Gabriela e Reynaldo Gianecchini em A peça sobre o bebê, de Edward Albee; Débora Bloch e Diogo Vilela em Tio Vânia, de Anton; Ana Paula Aróiso em Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen, entre outros. Em julho do ano passado, esteve no mesmo Teatro Anchieta para uma curta temporada de O que diz Molero, com Chico Diaz, Ora Figueiredo e Augusto Madeira no elenco.

Serviço

O que: Dilúvio em Tempos de Seca
Quando: Hoje (dia 20), somente para convidados. De 21 de janeiro a 13 de março. Quando: Sextas e sábados, às 21h. Domingo, às 19h.
Onde: Teatro SESC Anchieta - Rua Dr. Vila Nova, 245. Tel.: 11 3234 3000
Preços: R$ 20,00 (público), R$ 15,00 (usuário matriculado) e R$ 10,00 (trabalhador Preços: no comércio e serviços matriculado e dependentes).
Faixa etária 16 anos

Fonte: SESCSP

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